Sempre é tempo do nada dizer

São inevitáveis os momentos do nada dizer, ultimamente passo por uma fase que é aparentemente interminável, talvez seja.

Quando comecei a escrever tinha a intenção de compartilhar com as pessoas alguns temas que acreditava serem necessários virem a tona, mas poucas pessoas demonstraram interesse na leitura, eu me preocupava e passava as vezes mais tempo tentando divulgar o que escrevi do que estudando para escrevê-lo. Um equívoco que pode ser interpretado facilmente como necessidade de atenção, prepotência, presunção, ego…

Refleti sobre isso, minhas motivações e consequentes frustrações. Entendi que obviamente alimenta minha autoestima e estimula novas ações a existência de um reconhecimento e um reverberar de ideias. Em partes porque me sinto insegura em tentar coisas novas, um pouco porque é difícil multiplicar algo que já vivenciei e comprovei mas ninguém acredita na efetividade sem que haja um veículo de escuta e construção constante, e também pelo meu forte senso da necessidade de vivência comunitária, principalmente em se tratando de educação, e o reconhecimento faz parte da validação coletiva no âmbito democrático.

Felizmente pra mim, contrariando certas maledicências alheias minha intenção maior definitivamente não é a vaidade. Fato é que quando escolhi  viver como educadora meu objetivo primeiro era tentar contribuir para uma mudança do mundo para melhor, e isso não acontece sem o movimento da troca.  Eu poderia começar a fazer vídeos e assim talvez mais pessoas me ouvissem, e eu até faria se me sentisse a vontade com isso, mas o viés da escrita ainda é algo que fala mais alto a minha forma de pensar e de ser e por mais que eu queira que todas as pessoas possíveis tomem contato com o que eu tenha a dizer, concordando ou não, entendendo ou não, mas fomentando uma discussão que precisa ser discutida, me contento com a mudança de mundo mais lenta, meia pessoa de cada vez, se for o caso, afinal, isso é que é educação, e foi a isso que me propus.

Analiticamente, nesse tempo de postagens sobre prática, ensinamento adquirido e compartilhamento de informações aprendi mais sobre mim mesma do que sobre outras tantas importâncias. Elaborei melhor como expor minhas ideias e embora ainda tenha bastante a aprimorar em como demonstrar insatisfação, debater conceitos, trocar conhecimento, hoje consigo enxergar novas estratégias de atuação social, diferentes formas de lidar com entraves na comunicação quando os interlocutores são digressivos, pessimistas, esquivos de sua própria responsabilidade, alienados, e me incluo nesse processo, porque é uma montanha russa toda a desconstrução necessária na busca de uma plenitude intelectual. E eu até choro em montanhas russas!!!

Enfim, como foi o som do silêncio que me proporcionou essa caminhada até agora vou iniciar o ano revolucionário relembrando uma música que eu amava ouvir quando era bem pequena, e chegou até mim novamente durante a elaboração desse texto pela admirável Leona Wolf! Também durante a escrita talvez eu tenha percebido que o meu nada dizer ainda vai dizer muita coisa.

 

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