Ensinando muito mais que algumas escolas por aí…

Entender as consequências dos procedimentos pedagógicos é fundamental para escola e família

Por Cris Akemi

Recentemente soube que em São Caetano do Sul, cidade considerada, por alguns, uma das melhores da região em termos de educação, e no Sesi, uma das escolas mais conceituadas atualmente, existem rankings de alunos.

No caso da escola em questão de São Caetano (informação de uma mãe/professora), soube que as turmas tem uma premiação para o aluno mais esforçado e para o aluno destaque bimestralmente. No Sesi, postado na internet, uma espécie de condecoração para aqueles que se destacam em características como carisma, inteligência, discernimento, determinação, e por aí vai.

Apesar de não me surpreender, por conhecer a fundo esse aspecto da pedagogia adotada em ambas instituições, muito me admira o equívoco cometido em termos conceituais e mais ainda a forma com a sociedade encara esse tipo de ação como algo benéfico para as crianças.

Em tempos da discussão política entre meritocracia e igualdade social vale lembrar que tanto num caso como no outro o ingresso nessas escolas são seletivos e elitistas, portanto já parte-se daí a visão de que aquele que tem melhores condições é o que tem também mais méritos, mesmo que não sejam méritos próprios, já que nascer em berço de ouro não é conquista da criança.

O problema aí não é o reforço positivo, do qual me valho constantemente em meu trabalho, mas a maneira como está posto. Minha experiência, aliada a reflexão de vários estudiosos (maior profundamento em: http://repositorio.uniceub.br/bitstream/123456789/2982/2/9961034.pdf), ditam que quando a criança tem sua autoestima elevada, ela é veementemente mais produtiva. Isso quer dizer que as crianças “destaque” dessas escolas estão sendo então positivamente estimuladas? Sim, pode até ser. Mas será que ninguém parou para pensar nos outros tantos que nunca alcançarão essa posição.

Sempre haverá os que dirão que essa prática estimula os outros alunos a serem melhores, mas esforço, carisma, inteligência não são características mensuráveis, menos ainda adquiridas de uma hora para outra, são construídas ao longo de uma vida e não dependem somente da vontade do indivíduo, mas do meio e das circunstâncias. Isto é, na maioria das vezes esse tipo de “estímulo” serve apenas para indicar que os que ficaram para trás hoje, muito provavelmente são os que permanecerão atrás sempre, pois premia a capacidade de poucos, reforçando a incapacidade da maioria.

Comparar as crianças entre elas é injusto porque elas nunca terão as mesmas condições, ninguém é igual a ninguém. O papel da escola não é homogeneizar o indivíduo para que se torne igual aqueles que se destacam, mas ajuda-lo a descobrir suas próprias potencialidades, ampliá-las e valorizar cada pequeno passo do seu desenvolvimento em relação a si próprio, assim proporcionando-lhe autoestima.

E como felizmente a escola não é a única fonte de todo o aprendizado do mundo, como alguns ainda querem crer, aprendamos um pouco mais de maneira lúdica:

3 Comments

  1. Obviamente o critério da seleção é, por contiguidade, o mesmo da exclusão. Outra: ainda que se escolhesse por isso ou aquilo, como por empatia (competência, habilidade?), por qual paradigma conceitual está orientado esse conceito-atributo? Por que concepção de SER se pauta? A epistemologia pragmático-autocrática preconiza a seleção programada, e a orientação da maioria significativa das entidades de ensino desse imenso país se alinha e replica indefinidamente e sem reflexão qualquer – que produza ao menos alguma virada pedagógica ou que consiga sair do ardil dessa lógica perversa, enfim. Produzimos eleitos e eleitores.

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