Somos todos semeadores e algozes. Escolha o seu lado!

 Por Cris Akemi

No livro “O desaparecimento da infância”, Neil Postman trata a questão da influência da mídia na formação da criança contemporânea, tanto quanto das relações perversas estabelecidas entre a criança e o meio. Assim como no curta, discute sobre os diferentes significados da infância, que estão de acordo com a forma como a sociedade lida com seus valores, criticando fervorosamente práticas que considera culminar no desaparecimento da infância.
Ao descobrir-se que essa fase da vida tinha suas especifidades, a classe dominante passou a explorar a infância descaradamente, fase em que se está mais suscetível a aprendizagem, as interações produtivas, mas também a condição de submissão.
Portanto, a invenção da infância só tornou mais fácil para que o sistema capitalista dominasse cada vez mais cedo os sujeitos que serão preparados cegamente para não questionarem a posição social em que se encontram e ainda por cima serem competitivos no mercado de trabalho, meros peões do xadrez burguês.
Me parece que ninguém se pergunta o que é melhor para nossas crianças, mas que se pensa muito no que será melhor para elas quando adultas. A sociedade não enxerga efetivamente que trabalho infantil e atividades extracurriculares podem agir da mesma maneira na realidade da criança, pois ambos são ferramentas de dominação expressa que inibe a infância e provoca amadurecimento precoce.
Sem perceber o tamanho da atrocidade que cometemos, estamos alimentando uma sociedade cada vez mais neurótica e infeliz, de indivíduos que culpam a si próprios por suas frustrações profissionais, não entendendo que o esforço não leva a lugar nenhum se o sistema não permitir, e que o sucesso é uma ilusão plan
tada para que nunca deixemos de baixar nossas cabeças ao domínio.
Considera-se atualmente que bem sucedido é aquele que ganha o salário mais alto, e que provavelmente quando criança tirou as notas mais altas, mesmo que não seja feliz. Para mim ser bem sucedido é ter uma atividade que ajude na construção de um mundo melhor, uma profissão que traga recompensas humanas, mesmo que as financeiras não sejam significativas, é ter o direito de sorrir mesmo que as condições não sejam as melhores. Não pretendo ser subjugada pelo sistema e não deixarei que as crianças que estiverem sob minha influência sejam.

Resenha do livro: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/35/res02_35.pdf

Assistam o documentário que ilustra essa questão a seguir:

A Invenção da Infância

Gênero: Documentário
Diretor: Liliana Sulzbach
Duração: 26 min     Ano: 2000     Formato: 16mm
País: Brasil     Local de Produção: RS
Cor: Colorido
Sinopse: Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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